Variante ômicron - Por que ela é tão contagiosa?



A variante ômicron rapidamente se tornou a cepa dominante do vírus SARS-CoV-2 no mundo todo, aumentando exponencialmente os casos de Covid-19. Essa característica altamente contagiosa ligou um sinal de alerta sobre as autoridades sanitárias e enfatizou novamente a necessidade de manutenção das medidas protetivas.


Mas, como surgiu a variante ômicron?


O surgimento dessas novas variantes se deve a um fenômeno bastante comum na natureza: as mutações. Quanto mais o vírus se espalha e se multiplica, maiores as chances de ocorrerem “erros” no código genético dos novos vírus durante o processo de multiplicação (replicação). Em outras palavras, os vírus recém-formados continuam sendo os mesmos, mas agora eles têm, digamos, versões alternativas.


Muitas vezes essas mutações podem não ser importantes e não modificam a forma que o vírus age no corpo. Por outro lado, essas modificações podem deixar os vírus mais fortes, resistentes à vacina e ao sistema imune e mais transmissíveis. Um exemplo de nosso cotidiano é o vírus da gripe, que força a população a se vacinar todos os anos devido a sua alta taxa de mutação.


Com o vírus SARS-CoV-2 não é diferente. Quando um grupo de descendentes (ou uma linhagem) do SARS-CoV-2 reúne mutações distintas em comum, passa a ser chamado de variante. Ao longo da pandemia, foram noticiadas descobertas de várias variantes, em especial a ômicron.


É importante destacar que o relaxamento das medidas protetivas mantém o vírus circulando na população por mais tempo, o que favorece o surgimento dessas novas variantes. Por isso, é tão importante o uso de máscaras, evitar aglomerações e utilização do álcool em gel.


A variante ômicron tem alta capacidade de transmissão!


Apesar do vírus SARS-CoV-2 original ser bastante contagioso, a ômicron consegue elevar ainda mais essa taxa de contágio.


Isso se deve, em parte, às mutações específicas nesta variante que potencializaram sua capacidade infectante. A ômicron apresenta mais de 30 diferentes tipos de mutações que ajudam nesse processo. Em particular, algumas delas se localizam na proteína spike. A spike ficou mundialmente famosa por ser uma proteína presente no vírus que tem papel fundamental na entrada do mesmo na célula humana.


Para que o SARS-CoV-2 consiga infectar as células, a proteína spíke precisa se ligar ao receptor da enzima conversora de angiotensina 2 (ECA2), que está presente em nossas células, especialmente no trato respiratório. O fato é que as mutações na variante ômicron aumentaram a afinidade e força de ligação da proteína spike pela ECA2, o que aumentou a capacidade infectante do vírus.


Outro fator que contribuiu para sua maior transmissibilidade é a região do sistema respiratório infectada pela ômicron. Essa nova variante parece invadir mais facilmente a porção superior do trato respiratório quando comparado às células pulmonares. Assim, mais material viral acaba sendo expelido pelo nariz e pela boca e, consequentemente, contribui para uma maior disseminação do vírus. Além disso, temos o escape imunológico, ou seja, existem pessoas que podem ser reinfectadas mesmo que já tenham tido a doença anteriormente ou tenham sido vacinadas.


Ainda é difícil precisar o quão transmissível a ômicron é comparado a outras variantes. Mas, algumas estimativas da Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido sugerem que ela pode ser entre duas a três vezes mais contagiosas que a delta, por exemplo.


A vacinação é sempre a melhor opção!


Apesar de poder infectar pessoas vacinadas, o esquema vacinal completo contribui muito para o não desenvolvimento da forma grave da COVID-19 e hospitalização, inclusive em infecções pela ômicron. Em geral, pessoas não vacinadas ou que tenham tomado apenas uma dose, tem maiores chances de ter complicações respiratórias graves.


Além disso, ainda não existem evidências científicas suficientes que indiquem que a ômicron cause uma versão mias branda da COVID-19. Por isso, os cuidados protetivos devem ser mantidos e a população deve se vacinar com as duas doses mais a dose de reforço.


Quais os principais sintomas?


A sintomatologia da infecção pela ômicron é semelhante às outras variantes do SARS-CoV-2. Os principais sintomas incluem tosse contínua, espirros, dor de cabeça, fadiga, além dos sinais mais característicos que são a perda de olfato e paladar. Além disso, têm sido comuns relatos de dor de garganta em pacientes diagnosticados pela nova variante.


Outro fator que deve ser levado em consideração é o aumento de casos de gripe causados pelo vírus Influenza H3N2. Esta gripe também apresenta sinais semelhantes à COVID-19, no entanto, é fundamental a diferenciação das duas doenças para direcionar a melhor conduta terapêutica.


No Laboratório Biocenter, contamos com uma ampla variedade de testes para COVID-19. Aqui você encontra testes rápidos de antígeno, para identificação da fase aguda da doença, exames moleculares de RT-PCR (padrão ouro para diagnóstico), além de testes sorológicos que detectam a presença de anticorpos contra a doença. Além disso, contamos com exames diferenciais para distinguir infecções por COVID-19 e por Influenza.


O Laboratório Biocenter preza pela sua saúde. Ao identificar os sintomas, realize o teste em uma de nossas unidades e procure auxílio médico.


Nós, do Laboratório Biocenter, assumimos o compromisso de deixá-los sempre bem-informados e atualizados, trazendo conteúdos relevantes e de qualidade para você.

Referência:


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Hay, J. A., Kissler, S. M., Fauver, J. R., Mack, C., Tai, C. G., Samant, R. M., ... & Grad, Y. H. (2022). Viral dynamics and duration of PCR positivity of the SARS-CoV-2 Omicron variant. medRxiv.


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McCallum, M., Czudnochowski, N., Rosen, L. E., Zepeda, S. K., Bowen, J. E., Walls, A. C., ... & Veesler, D. (2022). Structural basis of SARS-CoV-2 Omicron immune evasion and receptor engagement. Science.


Puhach, O., Adea, K., Hulo, N., Sattonnet-Roche, P., Genecand, C., Iten, A., ... & Meyer, B. (2022). Infectious viral load in unvaccinated and vaccinated patients infected with SARS-CoV-2 WT, Delta and Omicron. medRxiv.


Santos, J. C., & Passos, G. A. (2021). The high infectivity of SARS-CoV-2 B. 1.1. 7 is associated with increased interaction force between Spike-ACE2 caused by the viral N501Y mutation. BioRxiv, 2020-12.


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