Varíola - O que você precisa saber sobre essa doença



Recentemente, temos visto em quase todos os canais de comunicação notícias sobre a varíola do macaco e isso tem contribuído para deixar a população preocupada e assustada com esta doença, ainda mais depois do que vivemos por conta da pandemia da Covid-19.


Mas é preciso entender que doença é essa, o que diferencia ela da varíola que havia sido erradicada no Brasil na década de 1970 e o contexto dessa doença em relação à pandemia da Covid-19.


Mas, o que é a varíola?


A varíola humana (smallpox) é uma infecção causada por um vírus pertencente ao gênero Orthopoxvirus e transmitida pela inalação de gotículas respiratórias ou pelo contato direto com a pessoa e/ou objeto contaminado.


A doença pode se manifestar em duas formas. Na forma mais grave, os sintomas surgem de 7 a 17 dias após a infecção e consistem em febre, dor de cabeça e dor nas costas. Porém, dor abdominal e delírios também podem estar presentes. Posteriormente, surgem manchas avermelhadas (exantemas) nas mucosas e no rosto, que se espalham para outras regiões do corpo e se enchem de pus (pústula). Em casos ainda mais graves, essas feridas lesões podem se romper e desencadear hemorragias na pele, nas mucosas ou em outros tecidos comprometidos.


Após a confirmação do diagnóstico da varíola, utilizando uma amostra de DNA do líquido extraído das lesões, o paciente infectado deve se manter isolado e os tratamentos envolvem medidas que resultam no alívio dos sintomas.


Outra medida protetiva, que foi essencial para a eliminação da doença na década de 1970 é a vacinação contra a varíola.


Como a vacina contribuiu para o controle e erradicação da doença?


Em 1796, o cientista britânico Edward Jenner desenvolveu a primeira vacina contra a varíola ao inocular o material da pústula (lesões) formada pelo vírus da varíola das vacas (cowpox) em humanos e verificar que estes adquiriam imunidade contra a doença.


Diante da epidemia de varíola no Rio de Janeiro, a vacina contra a doença se tornou obrigatória para crianças e adultos por volta de 1840, o que não foi bem aceito pela população. Dessa forma, a obrigatoriedade da vacina foi extinta em 1889.


Mas, quando Oswaldo Cruz tentou tornar obrigatória a vacinação contra a varíola, a população se revoltou, o que gerou o movimento conhecido como Revolta da Vacina. Este movimento só foi extinto após uma epidemia violenta da varíola atingir a população, que correu até os postos de vacinação.


A partir da década de 1960, a Organização Mundial da Saúde instituiu uma campanha que tinha como objetivo controlar a disseminação e erradicar a doença. Dessa forma, o Brasil instituiu a Campanha de Erradicação da Varíola (CEV) em 1966, que reforçava a importância de identificar e isolar os doentes e vacinar as pessoas que tiveram contato com o indivíduo contaminado como forma de impedir a propagação do vírus.


Esta e outras estratégias de controle da doença, contribuíram para a diminuição dos casos da varíola e sua eliminação, em 1973. Neste mesmo ano, foi declarado o fim da campanha de vacinação contra a varíola no país e o Brasil recebeu a certificação internacional de erradicação da varíola pela OMS.


Como pudemos perceber, a vacinação contra a varíola foi essencial para a erradicação da doença em território brasileiro. E isso levou à extinção da campanha de vacinação contra essa doença na década de 1980.


O que já sabemos sobre a varíola dos macacos?


Segundo os estudos, a varíola dos macacos ressurgiu em 2017 na Nigéria, após mais de 40 anos sem o relato de casos da doença. E, assim como a varíola humana, é causada por um ortopoxvírus. No entanto, os primatas não humanos (macacos) não são vetores da doença. É possível que pequenos roedores que habitam as florestas da África Ocidental e Central sejam os principais reservatórios da doença.


Esta forma da varíola causa sintomas muito semelhantes àqueles da doença erradicada nos anos 1980: febre, calafrios, dores de cabeça, dores musculares e nas costas, cansaço extremo e inchaço dos gânglios linfáticos. As lesões cutâneas surgem primeiramente no rosto, de um a três dias após o início dos sintomas, e se espalham para outras regiões do corpo, e podem persistir por 2 a 4 semanas.


Mas, o que pode explicar o reaparecimento da varíola?


Os estudos disponíveis sugerem 2 principais hipóteses para explicar este fenômeno, os quais não são excludentes entre si. O primeiro, diz respeito à maior exposição aos animais silvestres devido ao desmatamento, alterações climáticas, conflitos armados e migração da população. Já o segundo, está relacionado à perda da imunidade herdada desde que a vacinação contra a varíola foi interrompida.


Como o contexto da varíola dos macacos se diferencia da pandemia da Covid-19?


Esta é uma questão muito importante, pois a varíola dos macacos não é transmitida de pessoa para pessoa tão facilmente, ao contrário da Covid-19. Além disso, a varíola dos macacos é uma doença muito semelhante à varíola humana (erradicada nos anos 1970), que não se espalha de maneira assintomática (sem a presença de sintomas), e já possui tratamentos e vacinas disponíveis que ajudam a conter a sua disseminação. Por isso, apesar de preocupante, a varíola dos macacos não é motivo para pânico.


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Referências:


Kozlov M (2022). Monkeypox goes global: why scientists are on alert. Nature.


Nguyen P. Y, Ajisegiri W. S, Costantino V, Chughtai A. A, MacIntyre, C. R (2021). Reemergence of human monkeypox and declining population immunity in the context of urbanization, Nigeria, 2017-2020. Emerging Infectious Diseases.


Simpson K, Heymann D, Brown C. S. et al (2020). Human monkeypox – After 40 years, na unintended consequence of smallpox eraication. Vaccine.


Sklenovská N, Ranst M. V (2018). Emergence of monkeypox as the most importante orthopoxvirus infection in humans. Frontiers in Public Health.


Ministério da Saúde (2013). Programa Nacional de Imunização: 40 anos. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/programa_nacional_imunizacoes_pni40.pdf.


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