Endometriose - O que você precisa saber sobre a doença?

Atualizado: há 1 dia



A endometriose é uma doença inflamatória crônica que afeta de 1 a cada 9 mulheres em idade reprodutiva no mundo todo. E, recentemente, ganhou destaque nas mídias sociais e outros canais de comunicação após uma cantora falar que possui a doença.


Mas, você sabe o que é a endometriose e quais são os sintomas desta doença que é de difícil diagnóstico e ainda não tem cura? Continue a leitura desta matéria incrível que preparamos especialmente para você!


O endométrio é a camada interna do útero


Durante o ciclo menstrual, ocorrem variações no nível dos hormônios femininos que contribuem para o crescimento desta camada uterina e preparam o corpo da mulher para a gestação.


Na fase folicular, que tem início no primeiro dia da menstruação, há o desenvolvimento dos folículos ovarianos e predomina-se a liberação de estrógeno, que estimula o crescimento do endométrio. E, quando o folículo está pronto para ser liberado, há o aumento dos níveis de progesterona folicular. Os níveis elevados destes hormônios desencadeiam o pico do hormônio luteinizante (LH) que culmina na ovulação.


A partir de então, a secreção de progesterona pelo corpo lúteo continua aumentando, o que diminui a velocidade de crescimento do endométrio e contribui para a fixação do óvulo fecundado na cavidade uterina.


Mas, caso não ocorra a fecundação, o corpo lúteo é reabsorvido e o nível de estrógeno e progesterona diminuem. Diante disso, o endométrio descama e os vasos sanguíneos que se formaram no início do ciclo menstrual se rompem e as células endometriais são eliminadas na menstruação.


E o que acontece na endometriose?


Neste caso, em vez de as células do endométrio serem eliminadas na menstruação, elas migram para outras regiões do corpo da mulher, como os ovários e a cavidade abdominal. Assim, quando o ciclo menstrual tem início, as células endometriais passam por suas mudanças características. (se multiplicam e descamam ao final do ciclo). E todo esse processo causa intensas dores e alterações fisiológicas importantes no corpo da mulher.


Mulheres que possuem endometriose geralmente apresentam cólicas intensas durante o período menstrual, dor durante ou após a relação sexual, dor e sangramento ao urinar ou evacuar.


Alguns estudos também relacionam a doença com o maior risco de desenvolver câncer de ovário. Contudo, esta relação ainda é controversa e precisa ser considerada com cautela.


Além disso, cerca de 50% das mulheres que possuem a doença apresentam dificuldade de engravidar, o que pode estar relacionado com alterações anatômicas, redução da reserva ovariana e o comprometimento da receptividade do endométrio.


A endometriose além dos seus sintomas


Muitas mulheres têm o sonho de ser mãe, mas você consegue se imaginar ouvindo o diagnóstico de uma doença que pode te privar deste sonho? É difícil e doloroso, não é mesmo?


Este é apenas um exemplo de como a endometriose pode comprometer a saúde da mulher, mas traz à tona uma importante reflexão sobre o diagnóstico da doença.


O exame ginecológico, que deve ser realizado rotineiramente é o primeiro passo para o diagnóstico da doença, que pode ser complementado com exames laboratoriais, de imagem ou biópsia.


No entanto, muitas lacunas ainda estão presentes nas pesquisas relacionadas à endometriose. E, preenchê-las é essencial para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas. Entre as medidas mais utilizadas estão os medicamentos contraceptivos e os procedimentos cirúrgicos que retiram as lesões ocasionadas pela doença ou os órgãos reprodutivos (ovário e útero).


Avanços científicos relacionados ao diagnóstico da doença


Outra lacuna que precisa ser preenchida quando se pensa na endometriose diz respeito às formas efetivas de diagnóstico, como o uso de biomarcadores.


Um estudo recente que avaliou o nível de prolina e glutamina no sangue, aminoácidos que estão relacionados a alterações em processos inflamatórios e imunológicos, como os que ocorrem em doenças como o câncer. Estes pesquisadores encontraram um resultado muito interessante, dado que a razão entre o nível circulante de prolina e glutamina parece estar aumentado nas mulheres com endometriose.


Outro estudo recente sugere que a ZWINT (proteína de ligação ZW10) e a AQP1 (aquaporina 1) podem ser marcadores confiáveis que auxiliem na determinação da gravidade da endometriose.


No entanto, vale ressaltar que ainda não existem biomarcadores que contribuem para o diagnóstico desta doença. Estes estudos apresentam potenciais biomarcadores, porém ainda há muitas lacunas para serem preenchidas sobre a endometriose. Algumas delas estão relacionadas às suas causas e outras às formas de diagnóstico e tratamento da doença.


Nós, do Laboratório Biocenter, assumimos o compromisso de trazer informações relevantes e atuais para você. Estamos prontos para lhe atender e garantir os melhores resultados em exames laboratoriais.

Referências:


Bartimoro L, Schimberni M, Villanacci R, Mangili G, Ferrari S, Ottolina J, Salmeri N, Dolci C, Tandoi I, Candiani M (2022). A systematic review of atypical endometriosis-associated biomarkers. International Journal of Molecular Sciences.


Ellis K, Munro D, Clarke J (2022). Endometriosis is undervalued: a call to action. Frontiers in Global Women’s Health.


Kusum K, Raj R, Rai S, Pranjai P, Ashish A, Vicente-Muñoz S, Chaube R, Kumar D (2022). Elevated circulatory proline to glutamineratio (PQR) in endometriosis and its potential as a diagnostic biomarker. ACS Omega.


Xie C, Lu C, Liu Y, Liu Z (2022). Diagnostic gene biomarkers for predicting immune infiltration in endometriosis. BMC Women’s Health.


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