Doenças respiratórias de inverno: resfriado, gripe ou COVID-19?




Entenda a diferença dos agentes causadores, suas características e sintomas.


Com a chegada do inverno, é comum o aumento no número de casos de problemas respiratórios. No Brasil, a maior parte das doenças respiratórias que possuem relação com mudanças climáticas são as infecções causadas por vírus, como gripes e resfriados. Nessa estação do ano, há um aumento considerável na circulação destes agentes infecciosos na população. Isso ocorre, em parte, devido a uma maior tendência das pessoas permanecerem em ambientes fechados para se proteger das baixas temperaturas, o que acaba facilitando a transmissão destas doenças.


Mas você sabe as principais diferenças entre um resfriado e uma gripe? E como diferenciar estas duas doenças da COVID-19?


A primeira grande diferença entre estas três doenças está justamente no tipo de vírus causador. O resfriado é desencadeado geralmente por vírus do tipo Rhinovírus e pelo vírus sincicial respiratório (VSR). Já a gripe é causada apenas pelo vírus da classe Influenza. Os vírus Influenza possuem uma alta capacidade de mutação, o que significa que a cada ano surgem novas variantes que, potencialmente, podem ser mais infecciosas. É por esse motivo que todos os anos novas vacinas contra o vírus da gripe são desenvolvidas para conseguir proteger a população dessas novas variações virais. Já a COVID-19 é causada pelo vírus da classe Coronavírus, especificamente o vírus SARS-CoV-2.


Além das distinções quanto ao agente causador, existem algumas diferenças quanto aos sintomas e evolução das doenças. Nos resfriados, geralmente os sintomas mais comuns é nariz congestionado, corrimento nasal e espirros. Atualmente, não existe vacina para prevenir resfriados, porém os sintomas apresentam uma duração de poucos dias e com uma boa evolução clínica.


Por outro lado, a gripe apresenta sintomatologia mais intensa que em um resfriado comum. Os sintomas podem surgir repentinamente e incluem febre, dor de cabeça, calafrios, tosse seca, dor de garganta, dores no corpo ou nos músculos e cansaço. Assim como os vírus que causam resfriados, o vírus da gripe pode causar nariz congestionado, corrimento nasal, espirros e olhos lacrimejantes. A duração dos sintomas é maior na gripe, em torno de 3 a 6 dias, podendo evoluir com complicações como otites, sinusites e, menos frequentemente, broncopneumonias.


Os sinais da COVID-19 são bastante similares aos encontrados na gripe, principalmente em relação à febre alta, dor de cabeça, mal-estar e tosse seca. Apesar da COVID-19 não possuir um padrão bem definido de sinais e sintomas, a maioria dos casos tem evolução mais gradual, se agravando em torno do 8º dia após o início dos sintomas, ao contrário da gripe. Além disso, a perda do olfato e do paladar é mais comum na COVID-19, o que pode facilitar na sua diferenciação. Por se tratar de uma patologia que tem como alvo principal os pulmões, a COVID-19 pode desencadear sintomas pulmonares mais graves que incluem dificuldade de respirar, falta de ar e dor ou pressão no peito. Nesses casos é recomendado a procura com urgência de assistência médica.


A gripe, o resfriado e a COVID-19 possuem meios de propagação similares


A propagação ocorre principalmente por gotículas, quando as pessoas infectadas tossem, espirram ou falam. É possível infectar-se ao tocar em uma superfície ou objeto que contenha o vírus, como a maçaneta de uma porta, e depois tocar em seus olhos, nariz ou boca. A utilização de máscaras faciais é um método altamente recomendado para diminuir a contaminação pelos agentes infecciosos. Não há tratamento medicamentoso eficaz na cura dessas doenças e os medicamentos disponíveis no mercado atuam apenas no alívio dos sintomas apresentados. Atualmente, a vacinação é o método mais eficaz para prevenir o desenvolvimento da gripe e da COVID-19.


Por que a rinite alérgica ataca no inverno?


Outro problema respiratório comum no inverno é a rinite alérgica, caracterizada por espirros rotineiros e intensa coriza. Nessa época do ano, tendemos a utilizar casacos e cobertores que ficam guardados durante as outras estações. Isso é um prato cheio para o desenvolvimento de ácaros e fungos que desencadeiam a rinite alérgica. O ideal é manter o ambiente e as roupas sempre arejados e limpos evitando a proliferação desse tipo de microrganismo. Além disso, a escassez de chuvas durante os meses de inverno torna o ar mais seco, aumentando a poluição, o que afeta consideravelmente quem possui esse tipo de alergia.


O ar mais seco é um fator que pode impactar diretamente também em pessoas com doença pulmonar preexistente. O ar seco pode levar a irritação na garganta, respiração ofegante, tosse e falta de ar, especialmente na população portadora de doenças como a asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ou bronquite.


Fisiologicamente, nossas vias aéreas são revestidas por uma fina camada de fluido e, quando inspiramos o ar seco, esse fluido evapora mais rápido do que o normal. Isso torna a garganta mais seca, o que pode causar irritação e inchaço, piorando os sintomas de portadores de DPOC ou asma. Além disso, o frio pode ajudar a aumentar a produção de muco, que constitui uma fina camada protetora da garganta. No entanto, esse muco produzido em condições de frio é mais espesso e pegajoso do que o normal, o que pode causar bloqueios no sistema respiratório e também aumentar a probabilidade de pegar um resfriado ou outras infecções.


Vitaminas podem ajudar a evitar infecções respiratórias


A boa notícia é que a ciência está sempre avançando nessa área. Recentes descobertas sugerem que vitaminas podem ajudar a evitar infecções respiratórias. Cientistas descobriram que a ingestão de vitamina A e E proveniente da alimentação ou por meio de suplementos foi associada a uma prevalência mais baixa de problemas respiratórios em adultos. Por outro lado, somente a ingestão de vitamina D por meios de suplementos foi associada a uma quantidade menor de problemas respiratórios. Estes novos dados reacendem o debate científico atual sobre o real valor da suplementação de vitamina D, indicando que apenas a ingestão alimentar dessa vitamina (ou a exposição solar) podem não ser suficientes para garantir seus níveis adequados no organismo.


Lembrete: a suplementação com vitaminas deve ser indicada pelo seu médico de confiança após avaliação clínica e laboratorial. A auto suplementação pode acarretar prejuízos à saúde.


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Referências:

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