Diabetes - Quando o “docinho” faz mal para o nosso cérebro



As festas juninas chegaram e, com elas, todas aquelas gostosuras típicas desta época! É pé de moleque, paçoca, bolo de milho e pamonha. E, se para nós os docinhos não fazem nada, para quem é diabético eles podem fazer muito mal!


Isso acontece quando o nosso pâncreas deixa de produzir a um hormônio que é essencial para a manutenção dos níveis de açúcar no sangue (glicemia), a insulina. Este hormônio, é liberado pelas células do pâncreas, logo após a ingestão de uma deliciosa paçoquinha, quando a glicemia está elevada. Então, a glicose dos alimentos é captada e transformada em energia, que pode ser armazenada ou liberada imediatamente.


Mas, em alguns casos, a paçoquinha pode fazer mal!


Assim, indivíduos com diabetes mellitus do tipo 2, o pâncreas continua produzindo insulina, mas esta não é suficiente para metabolizar toda a glicose disponível na corrente sanguínea. Por isso, estes pacientes desenvolvem resistência à este hormônio e, conforme a doença progride, a capacidade de produção de insulina pelo pâncreas também diminui.


Muitos dos sintomas apresentados por indivíduos diabéticos estão relacionados ao excesso de açúcar no sangue e incluem aumento da fome, da sede e da quantidade de urina (poliúria) e visão ofuscada. Mas, conforme a doença evolui, as complicações podem afetar outros órgãos e sistemas, inclusive, o funcionamento do cérebro destes pacientes.


Cabe ressaltar também que o diabetes é um importante fator de risco para o desenvolvimento de vários tipos de demência, como a Doença de Alzheimer e a demência vascular.


A cognição é uma das funções cerebrais afetadas pelo diabetes


Diversos estudos sugerem que esta doença acelera o processo de envelhecimento cerebral. Estes estudos sugerem os pacientes diabéticos apresentem comprometimento das funções cognitivas relacionadas ao processamento e interpretação de informações em regiões do cérebro que fazem parte do sistema límbico (regulação das emoções) e outras envolvidas com as funções motoras. E este processo parece estar relacionado com a menor disponibilidade de glicose para o cérebro.


Outros estudos, ainda sugerem, um efeito do sexo e da idade do paciente diabético dado que estas alterações cognitivas são mais prevalentes em homens do que em mulheres. E aqui, um importante fator que pode estar envolvido, é o estrógeno. No entanto, mais estudos são necessários para compreender esta relação.


Da mesma forma, a identificação de biomarcadores de distúrbios cognitivos relacionados ao diabetes é essencial para compreender essas condições e podem servir, inclusive, como ferramentas de diagnóstico precoce. E, apesar de existir uma vasta gama desses biomarcadores, os resultados, até hoje, são inconsistentes!


Por isso, o cuidado com a nossa saúde de maneira integrada é essencial. Afinal, aquele docinho que parece que não vai fazer nada, pode desencadear uma doença crônica e complexa como o diabetes, que pode se manifestar de maneira silenciosa por muitos anos.


Nós, do Laboratório Biocenter, assumimos o compromisso de trazer informações relevantes e atuais para você. Estamos prontos para lhe atender e garantir os melhores resultados em exames laboratoriais.

Referências:


Antal B, McMahon L. P, Sultan S. F, Lithen A, Wexler D. J, Dickerson B, Ratai E. M, Mujica-Parodi L. R (2022). Type 2 diabetes mellitus accelerates brain aging and cognitive decline: complementary findings from UK Biobank and meta-analyses. eLife.


Ehtewish H, Arredouani A, El-Agnaf O (2022). Diagnostic, prognostic, and mechanistic biomarkers of diabetes mellitus-associated cognitive decline. International Journal of Molecular Sciences.


Moran C, Gilsanz P, Beeri M. S, Whitmer R. A, Lacy M. E (2020). Sex, diabetes status and cognition: findings from the study of longevity in diabetes. BMJ Open Diabetes Research & Care.


Ortiz G. G, Huerta M, González-Usigli H. A. et al (2022). Cognitive disorder and dementia in type 2 diabetes mellitus. World Journal of Diabetes.


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