A importância do jejum para exames laboratoriais



Preciso realizar exames laboratoriais, e agora? A necessidade de fazer exames gera muitas dúvidas nas pessoas, especialmente no que diz respeito ao preparo prévio que alguns exames necessitam.


É sempre bom estar atento a essas recomendações, pois fatores como a alimentação podem interferir de forma significativa nos resultados e levar a um diagnóstico equivocado. Por isso, nesta matéria trouxemos algumas informações importantes a respeito do preparo antes de realizar um exame para que você se sinta mais seguro ao ir ao laboratório.


Preciso fazer jejum antes da coleta?


Essa talvez seja a dúvida mais recorrente entre os pacientes, e a resposta é depende! Cada exame possui suas próprias recomendações sobre a necessidade de restringir a alimentação. Exames que mensuram a glicose (glicemia) necessitam de jejum de 8 horas. Isso porque ao se alimentar, a glicose presente nos alimentos acaba indo para a circulação, aumentando os seus valores no sangue. Além disso, neste exame as faixas de referência foram definidas baseadas em indivíduos em restrição alimentar.


Por outro lado, existem exames que não precisam de um jejum tão prolongado. Hemograma, creatinina, ácido úrico e hormônios tireoidianos (T3 e T4) são exemplos de exames que podem ou não ter a necessidade de jejum. A dica é sempre verificar com o seu médico e laboratório de confiança quais as medidas a serem tomadas. Lembrando que o jejum nunca deve ultrapassar 14 horas, sendo liberado o consumo de água de forma moderada.


No entanto, em casos onde haverá a dosagem de vários parâmetros juntos que possuem tempos de jejum diferentes, sempre irá prevalecer o período mais longo. Isso é necessário para que seja feita apenas uma coleta, evitando a coleta dupla.


Perfil lipídico precisa de jejum de 12 horas?


Este é outro exame que sempre gerou muita dúvida e desconforto nos pacientes devido ao jejum prolongado. De fato, o jejum de 12 horas era a recomendação vigente até 2016. No entanto, ao final deste mesmo ano, foi lançado o Consenso brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico visando estabelecer os critérios para a flexibilização do jejum para a avaliação do perfil lipídico. Ou seja, para exames de dosagem de colesterol total, HDL, LDL e triglicérides não são mais necessários o jejum de 12 horas.


Estudos científicos demonstraram que a determinação do perfil lipídico não sofre alterações significativas em indivíduos alimentados ou em jejum. Apesar de haver aumento nos triglicérides em pacientes alimentados, tal elevação é pouco relevante quando se considera uma refeição usual não sobrecarregada em gordura, havendo a possibilidade de ajustar os valores de referência.

Tais medidas foram tomadas visando gerar mais praticidade dos testes e a amplitude de horários de coleta. Além disso, para pacientes diabéticos, gestantes, crianças e idosos, essa nova medida traz mais segurança devido ao risco de hipoglicemia, além de aumentar a adesão à realização dos exames.

No entanto, a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC), em conjunto com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e de Análises Clínicas (SBAC), destacam que em algumas situações clínicas específicas, as concentrações de triglicérides podem estar extremamente elevadas. Nesses casos, fica a caráter do médico decidir sobre a necessidade do jejum de 12 horas antes da coleta. Em caso de dúvida, sempre consulte o seu médico para saber a melhor conduta a ser tomada.

Outros fatores que pode interferir nos exames


Se o exame precisa de jejum, a ingestão de qualquer alimento, com exceção da água, interfere no resultado dos exames. Por isso, nem mesmo um chá sem açúcar ou café pode ser ingerido, pois, podem modificar algumas dosagens bioquímicas. O mesmo vale para o álcool e o fumo, que podem interferir nos resultados de exames de colesterol e glicose por modificar o metabolismo dos açúcares em nosso corpo.

Outro mito muito frequente é que devemos ter uma alimentação mais “saudável” antes de realizar exames. O recomendado é que se mantenha a rotina alimentar, sem alterações na dieta habitual por pelo menos 15 dias antes de realizar a coleta. Isso porque uma mudança drástica na alimentação pode alterar os resultados, gerando um diagnóstico falso, especialmente se as dosagens forem de triglicerídeos. Lembre-se que é a sua saúde que está em jogo e que de nada adiantará gerar resultados excelentes apenas na semana do exame!

Durante o período menstrual, as dosagens hormonais são alteradas, especialmente os hormônios sexuais. Mas isso não impede a realização dos exames, visto que os resultados serão interpretados por especialistas, como um ginecologista. Por outro lado, a prática de atividades físicas gera a queima de calorias, que reduz os níveis de glicose no sangue, além de produzir metabólitos como o ácido lático e a creatinofosfoquinase (CPK). Por isso, não é recomendado realizar exames após exercícios físicos, pois podem ocorrer alterações em parâmetros bioquímicos e hematológicos.

É importante também ter uma boa noite de sono antes de ir ao laboratório. Uma noite mal dormida pode alterar o funcionamento de todo o organismo. Inclusive, existem evidências cientificas que demonstram que a privação de sono pode alterar o metabolismo, incluindo os níveis de glicose.

Existem outras recomendações importantes que variam de exame para exame. Por isso, é sempre importante estar atento e se houver dúvidas, não hesite em perguntar ao seu médico ou no laboratório em que será realizado o exame. Respeitando estas regras, você ajuda a garantir que os resultados dos seus exames sejam sempre fidedignos e precisos, evitando a repetição de dosagens.


Lembrete: Somente realize exames e testes após avaliação e indicação médica.


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Referências:

Association of Self-Reported Sleep and Circadian Measures With Glycemia in Adults With Prediabetes or Recently Diagnosed Untreated Type 2 Diabetes. DOI: 10.2337/dc19-0298.

Sociedade Brasileira de Análises Clínicas. Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico. 2016. Disponível em: https://www.sbac.org.br/blog/2016/12/10/consenso-brasileiro-para-a-normatizacao-da-determinacao-laboratorial-do-per%EF%AC%81l-lipidico/.

Sociedade Brasileira de Patologia Clínica. Jejum para perfil lipídico é flexibilizado. 2016. Disponível em: http://www.sbpc.org.br/noticias-e-comunicacao/jejum-para-perfil-lipidico-e-flexibilizado/


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